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quarta-feira, 19 de julho de 2017

XII Encontro de Pesca-submarina do CNOCA - Cascais 2017

No passado dia 16 de julho realizou-se, na zona do Cabo Raso (Raio Verde) em Cascais, o XII Encontro de Pesca-submarina do CNOCA.

Com condições de mar favoráveis os atletas iniciaram a sua jornada de pesca pelas 0900 e terminaram pelas 1300.

Apesar das boas condições de mar o peixe era escasso mas aos poucos as capturas foram surgindo.

As 4 horas de prova traduziram-se em 14 capturas válidas, totalizando 11,7 kg de pescado.



Seguidamente os atletas e as suas famílias juntaram-se no restaurante Casa de Chá dos Oitavos onde houve um agradável momento de convívio, entrega de troféus aos vencedores e sorteio de prémios pelos participantes.

Classificação:
1.º lugar: Hugo da Guia         / 8.950 pontos / 100%;
2.º lugar: Nuno Rosado         / 4.690 pontos / 52,4%;
3.º lugar: Paulo Silva            / 4.590 pontos / 51,3%;
4.º lugar: André Gil              / 3.910 pontos / 43,7%;
5.º lugar: António Mourinha / 2.070 pontos / 23,1%;
6.º lugar: Hugo Silva            / 1.500 pontos / 16,8%;
7.º lugar; Jorge Luz             / 0.000 pontos / 00,0%.

O troféu de maior exemplar foi igualmente entregue ao Hugo da Guia pela captura de um belíssimo sargo com 1.270g.

A Secção de Pesca-submarina do CNOCA agradece aos atletas presentes e aos patrocinadores, HSDrop e Fanatik.

Até para o ano!


A Secção,


quinta-feira, 13 de julho de 2017

O CNOCA no Campeonato Nacional Individual de Pesca-submarina 2017

        Fig.1: Atletas do CNOCA no final do segundo dia de prova, e o barqueiro que os acompanhou, Max, do Algarve.

        Realizou-se no passado fim-de-semana, em Peniche, o Campeonato Nacional Individual de Pesca-submarina. O CNOCA viu-se representado por 4 sócios, António Mourinha, Filipe Vieira, Tiago Mota e Hugo da Guia, os quais participaram no evento sem qualquer tipo de reconhecimento das zonas de prova, uma vez que o estado do Mar e os sucessivos adiamentos não permitiram a concretização dessa imprescindível preparação.
        As previsões meteorológicas para os dois dias da prova não eram as mais adequadas à prática desta modalidade, com mar e vento em ambos os dias, e com o período da ondulação a subir consideravelmente no segundo dia. Estas condições vinham sendo monitorizadas desde o início da semana, havendo até quem duvidasse da possibilidade de realização da prova. 
        Mas a Federação Portuguesa de Atividades Subaquáticas (FPAS), organizadora da prova em parceria com o Clube Naval de Peniche, manteve a sua realizacão para estas datas e assim, na manhã de sábado, os nossos atletas apresentaram-se no Clube Naval de Peniche para a reunião habitual antes das provas.

         Fig.2: Os atletas em competição são "briefados" pela organização antes do início da prova.


          A organização do evento informou os atletas das regras e aspetos de segurança mais pertinentes e comunicou a zona de prova. Como se previa, foi anunciada a zona Norte, compreendida entre a cruz dos Remédios e o Baleal, para a realização da primeira jornada. Vários clubes contestaram esta decisão sob o argumento de que esta zona permitiria caçar com mar em piores condições, como se previa para o segundo dia, ao contrário da zona mais a Sul. A organização convocou uma reunião expedita dos 9 clubes participantes tendo 5 clubes, entre eles o CNOCA, votado pela manutenção da zona de prova inicialmente escolhida.


           Fig.3: Todos os atletas dão o já tradicional abraço de desportivismo antes da prova.

          Mesmo assim antevia-se uma jornada dura, pois o estado do mar e o vento não iriam facilitar. Este aspecto veio mais tarde a confirmar-se, tendo o enjoo de alguns barqueiros e atletas dificultado as prestações do dia.


Fig. 4: Concentração dos barcos na Baía da Papôa antes do início da primeira jornada.

         Mesmo assim todos se aguentaram as 5 horas de prova. Os nossos atletas conseguiram nesta primeira jornada o 18°, 20° e 22° lugares, uma vez que o Filipe Vieira não pode estar presente na mesma. Na frente, os três primeiros, André Domingues, Humberto Silva e Jody Lot, encontravam-se separados por menos de 1%, algo inédito e que deixava tudo em aberto para a 2ª jornada.


Fig. 5: Classificação por equipas na 1ª jornada.



Fig. 6: Classificação individual no final da 1ª jornada.



        A segunda jornada adivinhava-se ainda mais dura, pensando-se até que poderia ser utilizada a zona de reserva, a qual é mais resguardada de condições de mar e vento dos quadrantes de N-NW. Este facto não se veio a confirmar, pois a zona de prova compreendida entre a Consolação e o limite Sul da Praia da Areia Branca apresentava, de forma inesperada, condições bastante favoráveis à prática da modalidade. Aguardava-se também menos peixe, pois as zonas de prova a Sul do Cabo Carvoeiro ditam normalmente menos capturas. Neste dia os atletas da casa obtiveram prestações díspares do primeiro dia, tendo apenas o atleta António Mourinha melhorado a sua prestação, com 5 peixes válidos, enquanto que o Tiago Mota e o Hugo da Guia pontuaram dois e o Filipe Vieira um. Por clubes no segundo dia o CNOCA classificou-se em 5° lugar, situação que permitiu o clube atingir o 6° da geral.


Fig.7: António Mourinha exibe as suas capturas da 2ª jornada, antes da pesagem.


 Fig.8: Hugo da Guia exibe as suas capturas da 2ª jornada, após a pesagem.


Fig. 9: Classificação por equipas na 2ª jornada.


         Fig. 10: Classificação individual na 2ª jornada.


          O vencedor da segunda jornada e da geral foi o atleta André Domingues do Clube Honda Marine, clube primeiro classificado nessa categoria ao assegurar que todo o pódio seria constituído pelos seus atletas, com o Jody Lot e o Humberto Silva a ficarem, respetivamente em 2º e 3º.
   

Fig. 11: Maiores exemplares capturados por cada atleta durante a prova.


Fig. 12: Classificação final por equipas no Campeonato.


Fig. 13: Classificação individual final no Campeonato.


Fig. 14: Panorâmica da cerimónia de entrega dos prémios.

Fig. 15: Filipe Vieira durante a entrega dos prémios.


Fig. 17: Os atletas do CNOCA e o seu barqueiro, acompanhados pelo Eng.º António
Júlio Cruz, Presidente da Comissão de Pesca Submarina da
Confederação Mundial de Atividades Subaquáticas (CMAS).

            No final do evento, os atletas do CNOCA, António Mourinha, Tiago Mota, Hugo da Guia e Filipe Vieira, classificaram-se, respetivamente, em 17°, 18°, 22° e 26°, prestações que permitiram ao CNOCA assegurar, de forma honrosa, a sua representação no mais alto escalão da pesca-submarina em Portugal.
            Parabéns à organização, a todos os atletas participantes, ao novo Campeão Nacional, André Domingues, e em especial aos Atletas do CNOCA e ao seu barqueiro Max!



quarta-feira, 10 de maio de 2017

Resultados - IX Troféu de Pesca-submarina do Dia da Marinha 2017, Campeonato Nacional de Duplas e Troféu Herculano Trovão

        Realizou-se no passado domingo, dia 7 de maio de 2017, após adiamento de um dia, a 9ª edição do Troféu de Pesca Submarina do Dia da Marinha de duplas à barbatana. Prova que como tem vindo sendo hábito, se desenrolou em paralelo com o Campeonato Nacional de Duplas da modalidade e com o Troféu Herculano Trovão, sendo que este último visa distinguir os maiores exemplares por dupla.
         A organização que contou com 30 atletas, ou seja, 15 duplas, viu-se obrigada em utilizar o dia de reserva, uma vez que o sábado não reunia condições para a realização do evento. Assim, mesmo com a dúvida de muitos atletas, no dia 7, após a concentração, todos puderam confirmar que as condições eram favoráveis e, já dentro de água, viriam a constatar que a visibilidade estava muito acima da esperada. Assim, o mar tinha cerca de um metro de Oeste, o vento apresentou-se quase sempre fraco e de várias direções, a água com os seus 17 graus e uma visibilidade muito variável, conforme as zonas, indo desde o metro e meio até aos 11 metros, a maré na enchente.
       Pelas 9 horas os atletas dividiram-se pelos dois pontos mais propícios para entrar, um mais a Norte e outro a Sul da praia, sendo que alguns procuraram zonas mais fundas e por fora. Os resultados foram posteriormente aparecendo, pois todas as duplas pontuaram. Quase todas as duplas aproveitaram as 5 horas de prova, com a exceção da dupla Filipe Vieira e André Gil, que saíram a meio da prova com 2 belos sargos.
Dupla da "casa" Filipe Vieira e André Gil.
        Na última hora praticamente todas as duplas exploraram a zona contígua à rebentação, o que permitiu ainda pendurar mais alguns espécimes nos enfiões e sair sem percalços (excepto o Jody Lot que ao que parece ainda se enrolou... acontece aos melhores)!
As restantes duplas do clube, Hugo da Guia / Tiago Mota e Nuno Rosado /António Mourinha. 
        Já na areia, os pescadores declaram o número de capturas, tiraram a fotografia da praxe e seguiram rampa (agora escadas) acima, quase sempre na companhia animada do Toni Bessone, que fez questão de se juntar a esta festa da Pesca Submarina. Os maiores e mais raros peixes foram logo aqui identificados, alguns serras, um grande robalo, alguns pargos sêmeas, algumas saimas e abróteas...
        Posteriormente todos se dirigiram para a sede do CNOCA, na Base Naval de Lisboa, local onde, após um primeiro snack para acalmar a fome, se viriam a realizar as pesagens, com a já costumeira colaboração do Paulo “Francês”, desta vez estranhamente mais sossegado que o costume. Seguiu-se posteriormente a doação de grande parte do pescado à instituição particular de solidariedade social Associação Vale de Açór.
Doação do pescado à Associação Vale de Açór.
        Depois seguiu-se o almoço, à base de carne grelhada e, posteriormente, o sorteio de material e a entrega de prémios, sempre com a intervenção bem disposta e animada do Toni Bessone.
Primeiramente foram entregues os prémios do Troféu Herculano Trovão e posteriormente do IX Troféu de Pesca Submarina do Dia da Marinha de 2017:
Seguido dos prémios de Clubes no Campeonato Nacional de Duplas de 2017 e dos prémios do Campeonato Nacional de Duplas de 2017:

Os pódios estavam entregues às duplas e Clubes que se distinguiram pelo número e tamanho das capturas nas pesagens, tendo a classificação final considerando todas as duplas, ficado na seguinte ordem:
Classificação Troféu Herculano Trovão
Classificação IX Troféu de Pesca-submarina do Dia da Marinha 2017 - duplas à barbatana
Classificação do Campeonato Nacional de Pesca-submarina 2017 por Clubes
Classificação do Campeonato Nacional de Pesca-submarina de Duplas 2017
        A Secção de Pesca Submarina e Apneia do CNOCA agradece profundamente a todos os atletas participantes que, mesmo no dia da mãe e com algumas dúvidas no que concerne às condições oceanográficas, marcaram numerosa presença, aos patrocinadores, HsDrop, Beuchat, SparusSub e Fanatik, à Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas, à Marinha e a todos os que direta ou indiretamente contribuíram para mais esta festa da Pesca Submarina nacional.

Obrigado a todos e já sabem, para o ano é no dia 5 de maio.


Bons mergulhos!
A Secção,

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Ainda há peixe nas Bicas!!!

        Depois de uma larga série de dias com mar bom e água luza, e, consequentemente, de muita gente a pescar nas Bicas, soava entre as hostes que o peixe andava escasso e que já só apareciam umas pequenas sarguetas. Como podem constatar pelas fotografias e posts já publicados, há sócios que têm frequentado o mar das Bicas com alguma regularidade...
        Assim, após um contacto muito expedito com o António Mourinha, resolvemos ir verificar se era verdade, até porque se aproximava a data do nosso Troféu do Dia da Marinha e Campeonato Nacional de Duplas de Pesca Submarina. Passados pouco mais de 60 minutos do nosso telefonema lá nos encontramos nas Bicas para um mergulho rápido. Após nos cumprimentarmos, trocarmos impressões sobre as últimas pescas e observarmos o mar, começamos a delinear a estratégia. Ficava contudo a dúvida... que tipo de mergulho fazer? Prospeção ou troféu?... Desta forma, já na descida, e porque para mim era o primeiro mergulho do ano naquelas águas e ainda por cima os mergulhos também não têm sido muitos, decidi ver se as pedras estavam no mesmo sítio e tentar fazer alguma prospeção, pois a água apresentava-se com mais de 10 metros de visibilidade!
        Face à envolvente, optei então por tentar perceber as zonas de pesca menos assoreadas, já o António Mourinha foi em procura de um troféu, tendo o vento dificultado o “trânsito” até ao spot. O Mar apresentava alguma vaga devido ao vento intenso que se fazia sentir, tornando chata a natação à superfície. Já a temperatura da água rondava os 17°.

        Afinal eram mais a vozes que as nozes: o peixe estava lá! Claro que tive de me moderar para não estragar os locais que elegi para o meu companheiro de prova pescar (;)), mas um bom sargo que se andava a pavonear num buraco conhecido e um belo salmonete tiveram de vir comigo para casa. O Mourinha também se safou, mas não com os peixes que tinha em mente... 


      Esperemos agora que o peixe se conserve onde anda... ;)


Com votos de bons mergulhos a todos,


Encontrámos-nos no no Troféu do DM2017!

HdaG

terça-feira, 28 de março de 2017

9º Troféu Pesca-submarina Dia da Marinha 2017 / Campeonato Nacional de Duplas - Taça Portugal Pesca-submarina / Troféu Herculano Trovão

Incluído nas comemorações do Dia da Marinha 2017, vai decorrer mais uma vez na Praia das Bicas, no Meco, no próximo dia 6 de maio, o 9º Troféu de Pesca Submarina do Dia da Marinha.



A prova organizada em parceria pelo CNOCA e pela FPAS, desenrolar-se-á na modalidade de duplas à barbatana e engloba, cumulativamente, o Campeonato Nacional de Duplas de Pesca Submarina (para as duplas federadas) e o Troféu Herculano Trovão (que premeia os maiores exemplares por dupla). Adicionalmente é uma das provas a contar para a Taça de Portugal da modalidade, nos termos previsto no respetivo regulamento.

DATA:
6 de maio de 2017 - sábado
07/05/2017 - DOMINGO / (dia de reserva)

LOCAL:
Praia das Bicas - Meco;

PROGRAMA:
08:00 - Concentração (junto ao Restaurante "Cabana do Pescador");
08:20 - Distribuição do regulamento e t-shirt do evento;
09:00/14:00 - Prova de duplas à barbatana;
15:00/17:00 - Pesagens e almoço;
17:00 - Entrega de prémios e sorteio de material.

INSCRIÇÁO:
25 EUR*: Participantes federados (com federação em dia) ou outros participantes com seguro desportivo válido para atividades subaquáticas. T-shit, almoço e participação no sorteio incluídos;
30 EUR*: Participantes sem seguro válido. Esta diferença (5 EUR) visa cobrir as despesas da organização na obtenção de seguro para o dia de prova. T-shirt, almoço e participação no sorteio incluídos;
(*): este valor será acrescido de 5 EUR nas inscrições após 30 de abril de 2017, por implicar maiores custos para a organização.

Preencher o formulário Inscrição Troféu de Pesca Submarina do Dia da Marinha 2017 o seguinte link:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfZCkSLVws2bZV7yDE24QFB2ORbmDEdRCYz4KvmpCb4mB0i7A/viewform?c=0&w=1

NOTA EXPLICATIVA;
Todas as duplas inscritas entram automaticamente para as classificações do Troféu do Dia da Marinha e do Troféu Herculano Trovão (almoço e sorteio de prémios). As duplas em que ambos os atletas se encontram federados participar igualmente na classificação do Campeonato Nacional de Duplas.
Em todas as classificações serão atribuídos prémios ao 1º, 2º e 3º classificados.
A classificação nesta prova conta para a Taça de Portugal de Pesca Submarina.

REGULAMENTOS:
Troféu do Dia da Marinha, Campeonato Nacional de Duplas de Pesca Submarina e Taça de Portugal de Pesca Submarina:
http://www.fpas.pt/index.php?option=com_content&view=category&id=17&Itemid=223
Troféu Herculano Trovão
O Troféu Herculano Trovão visa premiar os maiores exemplares capturados no decurso da prova, atribuindo três troféus às duplas que os capturarem. Cada dupla apenas pode submeter um exemplar. Os exemplares capturados serão avaliados exclusivamente pelo seu peso, não sendo validados os safios e as moreias.

CONTACTOS:
Clube Náutico dos Oficiais e Cadetes da Armada
Base Naval de Lisboa
Alfeite 2810-001 - Almada
Telef. e Fax: 21 275 16 14
email: Para: cnoca@marinha.pt
           Cc: violante.luz@marinha.pt; hugo_da_guia@hotmail.com; anjinho.mourinha@marinha.pt
Horário secretaria: 09:00/17:00 (dias úteis).


Secção de Pesca Submarina do CNOCA,
O Seccionista

sábado, 22 de outubro de 2016

Uma pesca inesperada


Às vezes as coisas que acontecem inopinadamente e sem qualquer planeamento são aquelas que resultam melhor, e as que, pelos resultados inesperados, mais superam as nossas expectativas e nos deixam satisfeitos e preeenchidos.
A pesca que vos vou contar enquadra-se nesta categoria de acontecimentos insuspeitos e bem sucedidos, e merece por isso ser aqui relatada.



Tudo se passou num dia deste generoso Outono, em que a meteorologia apresentava mais uma vez um dia bonito e com bom mar, mas em que vários compromissos me afastavam da possibilidade de ir para o oceano praticar este excelente desporto que é a Pesca Submarina. Por esse facto afastei completamente tal possibilidade do meu pensamento, ainda que muito a custo, pois as previsões que se avizinhavam traziam ecos de mudança meteorológica e anunciavam a invernia a chegar com os seus temporais, sabe-se lá até quando... 

Mas, subitamente, eis que, após o almoço, os compromissos vespertinos surpreendentemente desapareceram, como uma nuvem sombria que inesperadamente se desvanece, e a tarde ficou livre para poder ir para o mar! Demorei algum tempo até que essa hipótese, que tanto me tinha esforçado por recalcar, viesse de novo à minha mente, mas, assim que surgiu, imediatamente comecei os preparativos. Antes ainda tive tempo de, num rápido telefonema, desafiar o Nuno Rosado: podia ser que ele também pudesse vir pois é sempre melhor ir para o mar em boa companhia. Mas, infelizmente, também ele andava ocupado e deu-me nega, pelo que comecei desde logo a arrumar o material, que costumo ter sempre pronto e preparado, pois o tempo era escasso! Contudo, logo ao primeiro teste à lanterna verifiquei que esta estava completamente descarregada. Poderia ir sem lanterna, mas queria ir visitar um buraco de safio que provavelmente teria peixe, pelo que tal seria desaconselhado... que fazer... bem, pensando no safio e no pouco tempo disponível para uma pesca mais ambiciosa não havia outra alterativa que não fosse colocar a bateria da lanterna a carregar e adiar mais 20 minutos a minha saída. Assim, após uma breve carga da bateriaque apenas daria para um uso muito moderado da lanterna, lá me fiz ao caminho.
Após algum tempo da viagem, à chegada ao spot foi equipar rapidamente e entrar na água. Esta estava um pouco turva, sobretudo na borda, mas, ainda assim aceitável para pescar mais por fora. 

O tempo era pouco e não havia tempo para inventar: era ir às pedras conhecidas, pescar e voltar, pois o por-do-sol era cedo... Lá me fiz ao mar e, após localizar as baixas onde fica o buraco no qual esperava encontrar um safio, comecei por optar fazer uns agachons pois havia movimento de peixe miúdo. Durante um destes agachons entra um grande robalo, logo seguido de outro do mesmo calibre. Optei por este último, apontei a arma, tendo de disparar um pouco antes de ter o punho ao nível do olho, pois os peixes já se preparavam para zarpar para outras paragens. O tiro saíu por isso um pouco alto, tendo acertado no lombo do peixe, por baixo da barbatana dorsal. Subi deixando o peixe correr fio do carreto, o qual depois recuperei com cuidado até conseguir agarrar o robalo. Confirmou-se um peixe de bom porte, um "bébé" como lhes chama o Guia!... Já tinha valido a pena a pesca, mesmo que rápida e curta! Satisfeito com esta captura, insisto nos agachons, demorando alguns até ao limite da apneia. Numa destas apneias aparece um cardume de tainhas que se aproxima e quase me envolve, entre estas surge um silhueta distinta, de um peixe bem mais robusto, o qual se aproxima curioso e que reconheci como um lírio de bom tamanho, pelo menos para estas paragens. O peixe chega-se a tiro e desta vez este saiu perfeito: o charuteiro, como é designado na Madeira, atingido na espinha, simplesmente afundou no sítio onde estava. "Nem disse nada" como diria o meu amigo Frank Zino! Agarrei o peixe e regressei já com ele à superfície, podendo aí congratular-me com o facto de o tiro ter sido paralizante, pois constatei que a barbela não tinha passado para o outro lado do peixe! 
Já com a pesca feita, não podia contudo deixar de ir ainda visitar o buraco de safio, tendo verificado que, como supunha, este estava habitado por um safio decente, o qual foi capturado sem história e foi mais um a juntar-se ao enfião.
Agora havia que voltar a terra, desequipar e fazer o caminho para casa, que o ocaso já se avizinhava.


À saída ainda encontrei um pescador que me tirou um fotografia com o telemóvel, que ficou de fraca qualidade, até porque a luz já escasseava, mas que ainda assim aqui reproduzo.
Agora sim, já me sentia com balanço moral para enfrentar os longos dias de invernia e mar mau que se aproximavam inexoravelmente!


As outras fotos foram tiradas já em casa, com uma máquina com flash e assim ficaram mais aceitáveis.

Moral da história: mesmo com pouco tempo e inopinadamente vale sempre a pena ir ao mar!

Um abraço subaquático e bons mergulhos, sempre em segurança!

António Mourinha 

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Um sonho, um peixe, um Pargo!

      Pescar é tentar criar a nossa realidade, é forçar os sonhos a tornarem-se realidade. Assim faço eu há cerca de 20 anos. Neste período tenho sonhado com peixes de espécies e tamanhos diferentes, com lances de pesca, com dias de Mar chão e aragens, com imagens semelhantes a alguns vídeos e fotografias vistos naqueles Invernos mais rigorosos.... foi assim que surgiu o sonho de apanhar um Pargo.
 
      É contudo demasiado óbvio que existiram dezenas e dezenas de vezes que fui ao Mar nestes anos e que nem me lembrei que este peixe existia, inicialmente porque não fazia parte dos objetivos e porque pescava apenas na zona de Viana do Castelo, posteriormente porque a probabilidade de um encontro com estes Senhores é baixa, ou muito baixa nas zonas onde pesco no centro do país e com o tipo de pesca que pratico. Refiro contudo que apanhei um pargo (parguito muito pequeno) legítimo em Sines logo no início da “carreira”, que vi alguns pargos mulatos no Algarve com o amigo Tiago Mota e que capturei um pargo sêmea este ano com cerca de 700g num sítio onde “não há peixe”. Os sonhos continuavam assim claramente por saciar.
 
      Como alguns sabem tenho estado, por motivos profissionais, no Arquipélago da Madeira, local onde tenho tentado fazer uns dias de Mar e onde os sonhos se podem tornar realidade. Os que conhecem estas águas sabem contudo que a vida de fundo não abunda e que nem sempre é fácil apanhar uns peixes, embora em conversas com alguns residentes na Ilha tudo pareça mais fácil, como é exemplo disso algumas conversas que tive com o Rui Sousa, entre outros.
 
      Nas pescarias que tenho feito por cá tenho apanhado algumas vejas e preguiçosas, principalmente durante o Campeonato Regional de Promoção da Madeira, uns enxaréus, algumas bicudas, umas garoupas, algumas saimas, uma delas gigante, poucos sargos, alguns lírios pequenos, um safio, um belo peixe cão, um bom polvo e, umas lapas para o petisco. Ou seja, nada de novo, a não ser algumas saimas de bom porte, um avistamento de uma anchova gigante, peixe que procuro há uns meses para cá, o peixe cão, a tentativa de capturar algumas bicudas de bom porte e ainda o facto de ter visto uns serras muito grandes ou mesmo atuns em Porto Santo e umas bicudas acima do meu recorde pessoal. Ou seja, o Pargo ficava assim cada vez mais esquecido até que, com a companhia de uns camaradas decido ir pescar umas vejas para o jantar na zona do Lido. E quando começava já a ficar impaciente, pois as vejas de tamanho assinalável para a Região mantinham uma distância quase sempre fora do alcance útil de tiro, passado quase uma hora, decido apanhar uma mais pequena e quase que decido abandonar e ir ao mercado comprar peixe para o jantar previamente combinado. Eis que decido repetir uma zona com umas vejas de kg. Numa das esperas, avisto o meu sonho, entra-me um peixe grande de cabeça, inicialmente penso num lírio de bom porte, logo de seguida apercebo-me que é um bom pargo, o qual de dá o flanco e que por hesitação não é arpoado no imediato, ainda me veio à cabeça que não tinha a arma ligada à bóia, que ia falhar o tiro, que ia desperdiçar o sonho, a realidade..... até que o peixe decide ficar a ¾ quartos para de seguida, e um pouco mais longe, me dar novamente o flanco, aí disparo e mesmo sem abrir o carreto, oiço aquele barulinho espetacular, rrrrrrrrsssssssssssssss! O peixe tentou afundar em direção a umas pedras no fundo mas ao sentir a prisão que fiz no fio, inverteu a direção e bateu violentamente por diversas vezes numa grande pedra. Aqui pensei que ia perder o peixe e na falta que me fazia o meu companheiro habitual de pesca ou a proximidade de um dos camaradas da jornada, pois não conseguia vislumbrar e garantir que o arpão tivesse trespassado o peixe e a barbela aberto do outro lado do mesmo. Aos poucos fui recolhendo fio para o afastar das pedras até que o peixe ficasse a cerca de 1m do fundo, tentei cansa-lo o mais possível, pois nadava em círculos e tentava atingir novamente o fundo. Após alguns minutos e com os camaradas ainda longe, fui calmamente recolhendo fio, até que acabo por atingir o arpão e ter a certeza que a barbela estava do outro lado. Assim que pude amarrei-o pelas guelras, o que consegui à segunda tentativa, altura em que tive a certeza que já não me fugia. Arrematei o peixe e coloquei-o na bóia.
 
 
      O dia estava feito mas, em vez de regressar decido tentar apanhar mais uma ou duas vejas, nem que fossem pequenas, não fossem os meus convidados não gostar de pargo. No mergulho seguinte vejo outro pargo que estava estacionado à sombra de uma grande pedra, este viu me primeiro e passa à minha frente de fugida para o azul.... como é que é possível penso eu, milhares de apneias e nada de pargos, dois mergulhos, dois peixes..... é a pesca “cfdghjhgo”, é a pesca “carjgahtijolho”.
 
E assim tornei a realidade num sonho, desculpem, o sonho realidade. Lamento a minha confusão!
 
PS - E numa passagem rápida no molhe acabei ainda por capturar um xaréu bem bom!
 
Não desistam.
 
 
Hugo da Guia

domingo, 4 de setembro de 2016

Como capturar peixe-porco.


Depois da excelente receita de peixe-porco que o Nuno Rosado aqui nos deixou, pareceu-me importante partilhar convosco uma técnica que utilizo para capturar esta espécie de inegável valor gastronómico.
Saliento desde já que a técnica que vou partilhar não é infalível, mas que normalmente dá excelentes resultados conforme poderão constatar nas fotografias abaixo...

"Que sorte, limparam-me a tripa toda ao peixe!"

1. O primeiro passo é capturar um serra, espécie que o peixe-porco adora trincar. Mas atenção que não se pode capturar o serra por qualquer sítio, sob risco de a técnica não funcionar. Assim para obter os resultados desejados há que capturar o serra pela barriga para que este fique mais atrativo ao peixe-porco. Este é um ponto essencial, pois como podem ver na foto abaixo, quando não se apanha pela barriga nem um peixinho-porco aparece no enfião...

Note-se que quando o tiro não é na barriga não se atingem os resultados desejados...

2. Após capturar o serra (pela barriga, recorde-se) devem-se colocar algumas das tripas deste peixe de fora pelo buraco aberto na barriga. Então colocar o peixe na boia e esperar... (nota: podem-se ir fazendo alguns agachons de permeio para não ficar aborrecido)

3. Quando o cardume de peixe-porco aparecer a comer a tripa do serra é capturar a gosto. Para os mais preguiçosos (como é o meu caso, diga-se de passagem) pode-se deixar comer a tripa toda para já não ter que arranjar o peixe em casa...

Este foi um dia mau: o peixe-porco não apareceu...

Para os dias maus em que não se consiga apanhar o serra pela barriga, ou em que o peixe-porco não apareça, à falta de ceviche sempre se pode compensar com um sashimi do dito serra e esperar por melhores dias...

"Á falta de ceviche podemos sempre contentar-nos com um sashimi..."

Com um abraço subaquático e votos de boas pescarias,

António Mourinha