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sábado, 19 de dezembro de 2009

domingo, 22 de novembro de 2009

Corvinas em 2009

Pequena corvina de 4 Kg pescada este ano

Como o tempo agora não nos vai permitindo dedicarmo-nos ao nosso desporto de eleição é altura para irmos contando as nossas estórias, aquelas que deram origem àquele dito que é já quase um lugar comum: “pescadores, caçadores e outros mentirosos…”. Actualmente, se a era da fotografia veio dificultar um pouco o aumento do tamanho dos peixes, já o advento do photoshop veio de novo facilitar a tarefa!
Não obstante, a estória de corvinas que vos vou contar é rigorosamente verdadeira (como normalmente afiança qualquer bom pescador, caçador, enfim …), ou não esteja aí o meu amigo Chico “Besigas” Viegas para a confirmar!
Em meados do Verão passado, após verificar que o mar iria estar excelente no dia seguinte, resolvi telefonar ao camarada Viegas para combinarmos ir caçar para um spot de Corvinas nosso conhecido.
No dia combinado perdi-me no caminho e tive que fazer um desvio para não me atrasar ainda mais, o que seria crítico: para além de estar a fazer esperar o Viegas, corria ainda o risco de perder a hora certa da maré, aquela hora especial à qual, no sítio certo elas aparecem! Sim, refiro-me às corvinas…
Quando cheguei já o Viegas estava meio equipado à minha espera e disse-me logo que enquanto esperava “já tinham entrado 3 pescadores submarinos”. Equipei-me rapidamente, tão rapidamente que até o Viegas comentou:
- Estás mesmo cheio de pressa!
- Tenho um encontro marcado, e não me quero atrasar …, retorqui.
- Encontro marcado ? Com quem ? , continuou o Chico.
Terminei a conversa com um “Já vais ver …” enquanto me dirigi apressadamente para a àgua.
De facto já se viam algumas bóias na àgua e precisamente onde pretendiamos caçar! Segui para outro lado e … as bóias foram atrás de mim! Afastei-me para mais longe e… de novo as bóias me seguiram! Era incrível, ou era coincidência ou estava literalmente a ser marcado! Mas este facto até poderia contar a meu favor, pois ao virem atrás de mim os outros pescadores submarinos tinham saído do local onde eu esperava encontrar as corvinas! Voltei rapidamente à “base” e aí entretive-me a fazer alguns agachons.
Não tive que esperar muito até que ela surgisse… enorme, com as pintas prateadas a destacarem-se na sua linha mediana, nadando calmamente como se eu não existisse. Esperei mais uns segundos de uma apneia que já ia longa, enquanto ela, mudando de direcção, se aproximava para me passar por cima. Disparei nesse momento trespassando-a de baixo para cima e o peixe arrancou em grande potência levando-me largos metros da linha do carreto até eu a conseguir aguentar, já à superficie. Verifiquei que o peixe estava bem trancado, e, a custo, fui então ganhando poucos centímetros de cada vez até poder abraçá-la, fazendo uso também das pernas para lhe imobilizar o rabo, enquanto lhe enfiava uma mão pelas guelras. Com o peixe assim seguro deitei uma mão à faca e arrematei o lance. Já com o peixe morto descobri que me tinha esquecido do enfião! Mas a minha pesca estava feita! Já nem sequer tirei o peixe do arpão até chegar a terra (não fosse ela ressuscitar) e fui ter com o Viegas. Ao chegar ao pé dele, mostrando-lhe o peixe, atirei:

- Já vês agora com quem é que eu tinha encontro marcado…

O Chico apenas retorquiu:
- Bom peixe …

De facto era bom: pesou 33 Kg, e no prato não tem desiludido!

António Mourinha

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

CAÇAR AO BURACO EM S. MIGUEL

A caça submarina nas ilhas, para uma boa parte dos felizardos dos seus habitantes, resume-se muitas vezes à caça no azul, espera e caída, podendo estas render, nas alturas de águas quentes, alguns troféus como lírios, serras, bicudas ou anchovas. Talvez por isso, muitos dos caçadores desta ilha não estejam habituados à caça de inverno, com águas mais frias e onde terá de se dar mais importância à caça ao buraco.
Em algumas partes da ilha, podem-se encontrar boas zonas de pedra com bom potencial para encontrar sargos, safios, abróteas e moreias, embora, tirando as últimas que são bastante numerosas, ache que a densidade populacional de safios e abróteas é menor do que nas boas zonas de buraco do continente. Já quanto a polvos e santolas, confesso que tem sido uma completa desilusão. Posso dizer-vos que ao longo de um ano e mais de 50 saídas de mar, terei apanhado 3 ou 4 polvos e julgo que duas santolas. Na ilha existe um conjunto considerável de mariscadores que se dedicam à apanha destas duas espécies durante todo o ano e, nomeadamente nos polvos, consideram que os mais pequenos são os mais saborosos.
O espírito do “ir ao mar sempre que possível, mesmo que não implique grandes caçadas” tem-me valido alguns bons safios, o maior deles de 11kg e outras quantas boas abróteas. Lembro o dia em que após ter emprestado a minha segunda arma (omer 82) ao jovem que tinha ido caçar comigo, arpoei um safio que deveria ter perto de 20 kg num buraco a 11m com a 100 e desesperei pela possibilidade de lhe dar o segundo tiro. Após muita luta, o fio do arpão partiu-se e o bicho foi morrer para o fundo do buraco com o meu arpão. Acreditem que quando cheguei a terra e vi o companheiro a apanhar sol, tive vontade de lhe dar umas bordoadas… No entretanto, não desisti e uns três meses depois tirei do mesmo buraco outro com 7kg.

Assim, há que continuar a ir ao mar sempre que possível, aguardando pelo encontro com um badejo (meros vê-se alguns mas a lei não deixa apanhar) ou com um daqueles buracos de xaréus que se vê nos filmes. Falta ainda referir, da caça ao buraco, um dos belos pitéus que se podem encontrar nesta ilha que são os cavacos. Acreditem que um bichinho destes pode tornar uma bela caçada numa continuação ainda melhor à mesa.


Boas caçadas,
Rogério Santana

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

VI Encontro de Pesca Submarina do CNOCA


De forma a cumprir com o respectivo calendário de actividades da nossa secção, realizou-se no dia 2 de Agosto, em Peniche, o nosso sexto encontro de caça submarina, que teve a maravilhosa oportunidade de contar com nove atletas de alto gabarito oriundos de várias partes do país.




Quem não nos ajudou nada foi o mar, a norte tocava com alguma força e a sul, onde entrámos, não havia peixe nem para o gato comer…mas isso foi o que menos nos preocupou porque o melhor ainda estava para vir…



Apesar das dificuldades ainda houve peixe para a pesagem e eu consegui um fantástico segundo lugar graças às tripas de uma salema que ficaram guardadas dentro da rede e que resultaram num peso total de 520 gr. Ainda oiço as gargalhadas de todos…




A melhor parte deste encontro, como já era de esperar, foi o almoço que curiosamente teve o dobro dos participantes que a prova…isto quer dizer que a nossa secção está recheada de vorazes caçadores no prato (com o garfo também eu…).


O almoço teve lugar na esplanada de um restaurante bastante acolhedor onde comemos peixe grelhado (carapaus, sardinhas, peixe espada, besugo, etc.) acompanhado de uma deliciosa salada e batatas cozidas, ainda tivemos direito a vinho, sumos, águas e sobremesas…
Essa esplanada ainda serviu para a realização da cerimónia de entrega de prémios, que contou com a presença do nosso amigo e campeão Pedro Patacas…




Esta foi a minha primeira participação nestes encontros e certamente não será a última pois o espírito que se vive e o ambiente criado em torno destas actividades é bastante acolhedor e divertido, além de que é sempre uma oportunidade de trocar experiencias, histórias e aprender umas coisitas…

Mais uma vez o mar é uma fonte de ligação entre todos nós…

Bons mergulhos a todos

Jorge Luz

domingo, 1 de novembro de 2009

Aventuras em África: Senegal



Dakar, Senegal

Após o Gana, os Camarões e o Gabão queria agora em Dakar, no Senegal, ter a oportunidade de me despedir (pelo menos para já!) da pesca submarina em África. Este era o último destino desta minha viagem africana e não queria perder esta oportunidade, até porque aqui as condições de pesca e o peixe são substancialmente diferentes daquilo que tinha já experienciado nos outros países africanos. Nesta época do anos sopra frequentemente a nortada, o que faz com que as condições sejam algo semelhantes às da nossa costa ocidental no Verão: muito “upwelling” (a subida da àgua do fundo junto à costa), consequentemente àgua fria e muitas vezes turva. As espécies que aqui se podem encontrar variam muito com as condições meteo-oceanográficas: se as condições estiverem como acabei de descrever é possível encontrarem-se badejos, meros, saimas, sargos, pargos e outras espécies nossas conhecidas; mas, se o vento soprar de sul ou de oeste, o que acontece sobretudo de Setembro a Novembro, então já se poderão encontrar espécies demersais como as “carpes rouges”, ou pelágicas como as barracudas, lírios, wahoos, dourados etc. O Senegal, e sobretudo a parte a norte de Dakar, acaba pois por ser um local onde se faz a transição das espécies mediterranico-atlânticas para as espécies subtropicais e tropicais havendo consequentemente uma grande diversidade de pescado.

À chegada a Dakar as condições não eram nada favoráveis: ondulação de fundo forte, agua bastante turva em todos os locais e nortada, o que augurava água fria. Os meus parceiros da pesca no Gabão, Carl Friedrich e Carlos del Corral estavam mais uma vez com “ganas”, como dizia este ultimo. Contudo, sem fatos, aqui, não iriam certamente ter muito sucesso. Por isso para procurar equipamentos para eles fomos a um site de mergulho, que eu já tinha “sondado” da última vez que estive em Dakar, o “Oceanium Dakar”, na Corniche Est, estrada costeira que contorna a cidade por Este. Quanto a mim, estava esperançoso que o meu “fato descapotável” que eu tinha impiedosamente desprovido de mangas e capuz aquando do mergulho em Busua Beach, praia tropical a Oeste de Sekondi-Takoradi, no Gana, chegasse para me manter dentro de água durante umas boas horas.

1. Pequeno almoco inesperado

O “Oceanium Dakar” eh uma Associação de Protecção Ambiental, que, no que respeita ao mergulho, é gerida por Rodwan El Ali, um monitor CMAS. Ele disponibilizou-se para nos alugar o equipamento e ainda nos deu o contacto de um pescador, do pequeno porto de pesca mesmo ao lado, que costuma fazer pesca submarina e que ele achava que nos poderia levar. Contactámos esse pescador, Boy Ding (diz-se Djan), um jovem de seus 28 anos, que se disponibilizou para nos levar durante todo o dia por 30 000 FCFA (aproximadamente 45 Euro), e nós ficaríamos com peixe suficiente para o almoço. Combinámos para daí por três dias, ou seja no último dia da nossa estadia em Dakar, na esperança de que as condições oceanográficas melhorassem entretanto.
Felizmente assim foi, o mar melhorou consideravelmente nos dois últimos dias e após uma breve confirmação telefónica na véspera, no dia marcado lá estávamos às 07:30 no “Oceanium Dakar”. Para não me atrasar nem sequer tomei o pequeno-almoço, mas qual não foi a minha surpresa quando ao chegar ao local estava uma mesa posta ao ar livre com o pequeno-almoço pronto! Aquilo certamente não seria para nós, pois não tínhamos combinado nada nesse sentido, mas, pessoas, nem vê-las, e com a fome a apertar não foi preciso mais do que dois minutos para estarmos sentados a banquetearmo-nos com aquele pequeno-almoço inopinado!

2. Carlos: “Do que é que estamos à espera?”

Demorou ainda algum tempo até chegar alguém que nos fornecesse o material (os ritmos em África são ligeiramente diferentes daqueles a que estamos habituados), mas pelas 09:00 já estávamos a sair para o mar na canoa do nosso amigo Boy Ding, ele também equipado para mergulhar.

3. Carlos: “Vamos a eles!”

Começamos por ir tentar a nossa sorte numa zona a SW da ilha de Goree, ilha famosa pelo seu passado ligado à escravatura e que é actualmente património cultural da humanidade.
4. Ding orgulhoso com a sua captura

Preparei a minha espingarda de 90 com dois elásticos e fui o primeiro a entrar na água. Imediatamente um arrepio de frio me pôs a par de que iria ter problemas: a água estava demasiado fria para o meu “colete” improvisado no Gana! Mesmo assim lá fui mergulhando. Estávamos numa zona de pedra partida com 12 m na areia e 7 metros no topo da baixa. A água estava ainda com pouca visibilidade, esta a situar-se entre os 2m e os 2,5m. Nos primeiros mergulhos vi uma comunidade de peixes balão que se encontravam sobre a areia na zona de sota ondulação. Aqui dava para ver que o mar ainda tinha alguma força de fundo pois estes peixes, sem nadar, deslocavam-se sobre a areia ao sabor do movimento das águas, 1,5m para lá, 1,5m para cá. Após mais alguns mergulhos vi badejos e saimas de pequeno tamanho que se aproximavam no limite da visibilidade, os maiores badejos da ordem de 1 kg. Não atirei a nenhum desses peixes por serem demasiado pequenos para o tamanho com que os tenho apanhado na Madeira e em Cabo Verde.
5. Ding com as suas capturas, quando voltavamos à procura de um casaco

As minhas apneias estavam curtíssimas: estava a tremer com frio! Ao fim de quarenta minutos, já não aguentando mais, voltei para a canoa e chamei as hostes: tínhamos que voltar ao “Oceanium Dakar” para arranjar um casaco de mergulho para mim, que me permitisse, ao menos, estar razoavelmente confortável dentro de água. Ding com um fato completo de 5 mm não apresentava qualquer problema com o frio, tão pouco os meus amigos Carl e Carlos, com os seus fatos de mergulho para garrafa de 6 mm, no entanto todos concordaram em voltarmos para trás para eu arranjar um casaco.
6. “Agora já estou mais quentinho!”

Durante estes 40 min Ding apanhou 6 peixes: 4 pequenas saimas, um badejo também pequeno e uma sardinha, esta, naturalmente, dentro da boca do esfaimado badejo. Perguntou-me porque é que eu ainda não tinha apanhado nada... Disse-lhe que estava à espera dos pais daqueles ao que ele me respondeu que então provavelmente teria que esperar mais uns meses! O badejo aqui é como o robalo para nós: há em quantidade durante todo o ano, mas os maiores exemplares surgem sobretudo durante a época de reprodução, que, para o badejo, é o Verão, explicou-me Ding. Por isso ele não perdoa aos exemplares de quilo, até porque vive desta actividade.
7. A preparar o enfião para a foto

Mais quarenta minutos e eis-nos de novo “back in the game”, eu desta vez envergando um casaco para mergulho autónomo de 6mm! Agora fomos para umas baixas, também de pedra partida, situadas entre Dakar e a ilha de Goree, que vinham dos 16 m, na areia, até aos 9m no topo. Os peixes que havia eram mais uma vez os badejos, ligeiramente maiores que na baixa ao pé de Goree, aparentando entre o 1Kg e os 2 kg. A àgua apresentava aproximadamente a mesma visibilidade que naquele local, ou seja aproximadamente 2 m, razão porque mudei para uma espingarda de 82 cm. Aqui havia uma corrente considerável que nos obrigava a nadar até agarrar a bóia, descansar agarrados a esta e depois mergulhar outra vez.
O meu amigo Carlos desistiu, porque era “muy fondo”, enquanto o Carl nem sequer foi para dentro de água, estando mais virado para apanhar sol...
8. Eu, Carl, o peixe e os Chefes da aldeia dos pescadores

No entretanto Ding mete para o barco mais 3 badejos, o maior já com 2 kg. Vendo-me na contingência de levar para terra uma “grade”, como diria o meu amigo Rui “Agachon” Sousa, e ainda de ter que tirar peixe das capturas do Ding para o nosso almoço, deixei-me de peneiras e fui tentar apanhar o que havia. Já ia tarde para conseguir equilibrar a balança, mas, ainda assim, em pouco tempo contribui para as capturas com mais três peixes, cada um da ordem dos 1,5 kg. A técnica a seguir era o agachon. O problema era que com a pouca visibilidade algumas vezes o peixe via-nos já muito perto e logo se assustava e fugia para fora de visibilidade outra vez. A pesca ao buraco também poderia dar os seus frutos, mas a minha lanterna tinha ficado sem interruptor nos Camarões e como tal peixe entocado em buraco escuro estava definitivamente a salvo. Moreias havia muitas, grandes e gordas, outra razão que não aconselhava a ir espreitar os buracos muito de perto sem lanterna. Numa pedra que fazia uma passagem vi um mero que teria uns 6 kg, acompanhado de dois badejos. O primeiro logo fugiu, antes de qualquer veleidade da minha parte, e, quando os dois mais esguios se prontificavam para lhe seguir o caminho consegui arpoar o maior deles, tinha 2 kg. Posteriormente Ding contou-me que também tinha visto o mero, mais ou menos na mesma zona o que provavelmente significa que o peixe teria buraco perto.
9. Nós e as “gazelas”

Por esta altura já eram 14:00 e decidimos dar por finalizada a nossa jornada, pois ainda tínhamos que ir para terra e preparar o almoço: peixe acabadinho de apanhar grelhado na brasa!
Quando chegamos a terra os chefes da aldeia de pescadores vieram aguardar-nos na praia vestidos com os seus trajes tradicionais, um sinal de consideração e amizade, ou não fosse o Senegal a terra da “teranga”, a arte natural de bem acolher os visitantes.
10. Carlos: “Creo que el pescado no es fresco...”

Amanhámos logo um badejo e uma saima que foram grelhados pelo nosso anfitrião Boy Ding e seguidamente degustados, ali mesmo, na praia junto ao mar, com o molho tradicional, à base de cebola picada e pimenta branca, e acompanhados de umas boas “gazelas”!
O que é que já estavam a pensar... “gazela” eh uma marca de cerveja Senegalesa!

(P.S.: para quem for a Dakar, no Senegal e pensar em fazer pesca submarina, ou mesmo apenas mergulhar aqui ficam os contactos certamente serão bem acolhidos: “Oceanium Dakar”, BP 2224 Corniche Est, Dakar, telf. +221 338 22 24 41, e-mails elali.rodwan@hotmail.com / oceanium@arc.sn; Boy Ding telf. +221 775 37 40 71)

António Mourinha

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

As minhas férias de Verão



Neste verão, como não podia deixar de ser, sempre que podia estava dentro de água mas não fui brindado com nenhum troféu, apesar de todo o esforço… talvez seja porque durante este período os grandes troféus sintam mais agitação junto às praias e optem por andar mais afastados, por estes motivos gosto mais de caçar durante o inverno, mesmo que não apanhe nada de especial tenho uma praia só para mim…
Resumindo as férias em mergulhos, resulta algumas caçadas no Cabo de Sines e molhe W, praia da costa do norte, perceveira, aguião, pedra do homem, a sul no Burrinho e no malhão. Estes locais ainda deram alguns frutos, noutras praias fui só molhar o fato…
As fotos mostram o peixe capturado no molhe W e junto ao Cabo de Sines, tive pena de só ter capturado um robalo porque vi uns seis nos blocos do molhe mas eram difíceis de acertar porque via-os de cima e nunca paravam a tiro, ainda rasguei dois. Só quando conseguia entrar por baixo dos blocos é que tinha oportunidade de um bom tiro…os sargos eram poucos, pequenos e magros junto ao molhe…alguns melhores só mergulhando mais fundo, por fora do cabo, onde o fundo é rocha ou entralhados.


Mais por fora sempre se encontravam bons bodiões e também encontrei um pargo.

Num destes dias tive a oportunidade de caçar com o Cte Mourinha na praia a norte de Sines (Canto Mosqueiro), nesse dia os lírios foram a nossa sorte, apanhei 5 dentro dos cardumes de peixe porco mas o intuito da nossa caçada era capturar uma corvina, poucos dias antes tinham capturado uma nessa praia com 53kg mas quando nós entramos toda essa zona já estava muito batida…


Enfim este foi um breve resumo das minhas caçadas em Sines, espero que sintam vontade de cá vir, pois eu conheço aqui boas zonas para caçar e a companhia é sempre bem vinda…

Boas caçadas

Jorge Luz

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Vídeo sobre a Pesca Submarina

Aqui vai um link para um vídeo que, na minha opinião, descreve muito bem o que é a pesca submarina. Digam o que é que acham (tem comentários em francês).

http://www.youtube.com/watch?v=noZFJS5x7BM

António Mourinha

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Anchovas de S. Miguel...


Como sabem, encontro-me em comissão na ilha de S. Miguel desde Outubro de 2008. Ao longo do ano, a temperatura das águas oscilou entre os 15 (Janeiro a Março) e os 21 (Agosto a Outubro) graus. Desde Julho que é relativamente frequente ver-se duas ou três anchovas por mergulho, sendo que estas são extremamente desconfiadas em mar aberto, excepto em algum momento de sorte onde se possa ver um cardume de dimensão razoável e escolher um exemplar. No entanto, no fim da enchente e na praia mar, é relativamente comum dar com elas a caçar na espuma, quase em seco. É nessa altura que se podem fazer belas capturas de exemplares que podem atingir os 7 ou 8kg, apesar de a maior que já capturei ter 4,6kg. O tiro deve ser certeiro, pois o peixe tem muita força e a sua carne rasga com alguma facilidade, levando-nos ao desespero completo. Mas a sensação de ter apanhado um peixinho destes é do melhor. Ao longo do ano terei apanhado umas oito ou dez, e acreditem que escalada na grelha dá uns belos petiscos.



A primeira e maior que apanhei entrou-me ao agachon a 7m em Junho, quando ainda não estava preparado para tal e mal me viu deu meia volta e começou a afastar-se. Como estava bem armado (100 com dois elásticos de 16, duas voltas de fio e carreto), arrisquei o tiro e acertei na zona da barriga, dando-lhe espaço para não se rasgar. Ao fim de talvez um minuto e quando estava quase a meter-lhe as mãos, vi-a rasgar-se e desaparecer no azul, para grande desespero meu, como devem imaginar. Continuei a minha caçada (apesar de a considerar estragada), por mais algum tempo, batendo alguns buracos e fazendo umas esperas quiçá imaginando a entrada de uma irmã ou da mãe… No final da caçada, quando regressava passando por uma fenda onde já tinha antes dado com uns cavacos, vi a 15 metros um peixe a estrebuchar junto ao fundo, numa zona de areia entre duas rochas e rapidamente percebi que era ela. Mergulhei e quando cheguei perto, disparei e trouxe-a para cima comigo. Afinal o azar anterior tinha-se tornado numa chouriçada monumental, pensei ao colocá-la no enfião.


Este episódio serviu-me para mais uma vez confirmar que a solução está na persistência e que só indo à água sempre que possível se arranjam umas histórias para contar.
Boas caçadas,
Rogério Santana

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Aventuras em África: Gabão


Compromissos profissionais conduziram-me a África durante vários meses no início de 2009, mais especificamente à costa ocidental africana e Golfo da Guiné, tendo a oportunidade, nesse périplo, de visitar, entre outros países, o Gana, os Camarões, o Gabão e o Senegal. Relato aqui, de forma sumária, as minhas parcas experiências relacionadas com a pesca submarina nestes quatro países: desta vez é sobre o Gabão.


Port Gentil, GABÃO

Após os mergulhos no Gana e nos Camarões, consegui realizar o meu 3º Round de Pesca Submarina em África, agora no Gabão, e não obstante as condições estarem péssimas: já começou há algum tempo a época das chuvas e o mar encontrava-se verdadeiramente castanho.
Aqui em Port Gentil, toda a costa é de areia por isso os únicos locais onde se pode praticar pesca submarina é nas plataformas petrolíferas que se encontram mais ao largo. Para conseguir ir até às plataformas fui até ao porto de pesca para ver se encontrava algum pescador que me levasse. Por acaso conheci lá um pescador S. Tomense, o Vicentino, agora radicado no Gabão após ter casado com uma Gabonesa. Ele disse-me que provavelmente era possível encontrar água limpa mais para o largo. Actualmente Vicentino já não vai ao mar pois é proprietário de um pequeno bar junto ao mercado do peixe, contudo é também dono de dois barcos de pesca com companha também de S. Tomenses, e disponibilizaria um dos seus barcos e tripulação para irmos à pesca no Sábado.
Combinei de lhe pagar o combustível e de lhe dar o peixe capturado, o que poderia ser um bom negócio, consoante as capturas que fizesse.


1. Eu e o Carl Friedrich frente a um robusto pequeno almoco local.


Assim no dia combinado lá estava no porto de pesca acompanhado de dois companheiros de pesca: um americano actualmente a viver em Estugarda, o Carl Friedrich e outro espanhol, de Cádis, o Carlos del Corral. O primeiro era a segunda vez que mergulhava em apneia, enquanto que o espanhol já costumava fazer pesca submarina na sua zona. Tomámos um robusto pequeno-almoço local enquanto aguardávamos pelo Vicentino. Antes deste chegou a sua tripulação, que nos iria acompanhar na nossa jornada. Primeiro chegou o António “Russo”, um S. Tomense, de olhos azuis e tez clara a denunciarem o pai português, e depois o Pascoal, pescador da Guiné Equatorial a tentar a sua sorte por terras Gabonesas. Finalmente o patrão chegou, tratou do reabastecimento e da provisão de gelo (pelos vistos estava com fé nas capturas), e, finalmente, enquanto largávamos para o mar, ia dando, do cais, recomendações ao “Russo” sobre os locais a visitar.

2. Carlos del Corral com a sua faca contra os tubarões.

Pelas 09:00 já seguíamos a toda a velocidade rumo a Oeste para contornar o Cap Lopez e daí seguir para sul onde se encontram bastantes plataformas petrolíferas e esperávamos encontrar também água limpa. Enquanto navegávamos, eu e Carl reparámos que Carlos estava a atar com uma filaça aos seus calções uma faca, que terá pertencido ao talher de um qualquer restaurante. Alguns dias antes ele tinha-me manifestado alguma preocupação por irmos mergulhar num local onde poderia haver tubarões e por não ter uma faca de mergulho, mas eu não queria acreditar que era por isso que ele estava a fazer aquela operação. Questionado, Carlos apenas exibe orgulhoso a sua “faca anti-tubarão”: eu e Carl tivemos que registar o momento com as máquinas fotográficas, para não corrermos o risco de ao contar a história virmos a ser apelidados de mentirosos!

3a Pascoal e António “Russo” ao leme à passagem por Cap Lopez.


Contornamos Cap Lopez e navegamos para sul à procura de água limpa. Passamos uma primeira plataforma e a água estava castanha, então seguimos mais para o largo para uma outra pequena plataforma a cerca de 8 milhas de costa. À medida que nos íamos aproximando a esperança de encontrar água limpa ia diminuindo, pois a cor da água persistia em manter-se castanha... Ao chegarmos havia um cardume de uma espécie de cavalas ou de pequeno atum a alimentar-se à superfície da água. Contornamos a plataforma mantendo um corrico na água, uma dessas cavalas atirou-se ao corrico e logo se viu uma "Carpe Rouge" de bom tamanho a saltar para a comer: de facto só ficou a cabeça! Perante este cenário, e após duas horas de navegação e nem um mergulho, mesmo com a água completamente turva decidi experimentar mergulhar!

3b Eu, o António “Russo” e o Pascoal.

4. A pequena plataforma desactivada escolhida para a pesca.

Mas, logo ao entrar na água para amarrar o barco à plataforma pude verificar que as condições ainda estavam piores do que apenas a água suja: havia uma corrente de cerca de 2 nós e uma vaga larga de 1 m a 1,5m que dificultava inclusivamente que me pudesse agarrar às estruturas para descansar e preparar os mergulhos. Mas, por outro lado, pude verificar que a água a cerca de 5 m de profundidade limpava bastante e que se passava, como que por magia, de uma situação de menos de 1 m de visibilidade para cerca de 8 m de visibilidade.
Mesmo assim posso dizer-vos que não é uma situação nada agradável, num sítio onde sabemos que podem haver tubarões não conseguirmos ver da superfície o que quer que seja que ande à nossa volta!
Carlos del Corral, mesmo nesta situação, não se intimidou e saltou também para a água confiante na sua faca e cheio de vontade de apanhar peixe!

5. Carlos: “Tubarões? Com a minha faca no bolso venham eles!”

6. O “Russo” com uma moreia pescada à linha.


"Carpe rouge" não vi nenhuma mas vi uma "Carpe noire" (os S.Tomenses chamam a ambas corvinas) que teria uns 7 kg e que se comportava como um peixe pelágico mas que nunca me deixou aproximar. Havia também um cardume de Carangídeos, que se situariam entre os 7 e os 15 kg mas que estavam reticentes em aproximarem-se e exigiam uma apneia que estava com dificuldade em atingir por estar sempre a nadar. Ao fim de cerca de meia hora consegui aproximar-me de uma boa Barracuda que se encontrava na zona no meio dos pilares, onde era difícil eu ir, porque, com a corrente, a bóia se emaranhava nas estruturas. Mas consegui arpoa-la, e subi à superfície para respirar. Aqui estava a caçar com o cabo da bóia (mangueira) com apenas 14 metros. Desta forma mesmo que um peixe se prendesse nas estruturas submersas eu conseguiria ir busca-lo, pois os 14 metros mais os 6 metros da arma com o cabo e o arpão davam 20m, profundidade que me permitiria com relativa facilidade recuperar o arpão (lição aprendida após a perda de um arpão nos Camarões pelo meu parceiro quando estávamos a pescar com fundos não acessíveis). Esta revelou-se uma boa medida pois a barracuda obrigou-me logo a testar o estratagema: emaranhou-se nas estruturas e tive que mergulhar a recuperá-la, tinha 12 kg!


7. Uma barracuda com boa saude oral: nem tartaro, nem caries.


Após mais alguns mergulhos na zona de sota-corrente consegui arpoar (pelo rabo) um carangídeo (caranx hippos), chamado em S. Tomé de Corcovado, já de bom tamanho e que deu boa luta, mas que consegui capturar: tinha 10 kg. Mergulhar na zona de sota-corrente era mesmo a melhor opção pois a bóia e nós íamos derivando para fora evitando que o peixe fugisse para as estruturas.
Mais alguns mergulhos e arpoei outro carangídeo ligeiramente maior que o primeiro, mas quando o ia a entregar no barco (sem antes o ter matado) deixei-o fugir. Foi o final da pesca neste local... eu já estava cansado e com pouca paciência dadas as condições difíceis e os meus dois parceiros não estavam a usufruir nada da experiencia.


8. O corcovado do dia: apanhado pelo rabo!

Fomos então para uma zona de praia entre Cap Lopez e Port Gentil, as condições eram incomparavelmente melhores mas era só areia...
Já no final, aproximamo-nos ainda de uma estrutura de acostagem de navios para carregamento de petróleo, e aí o meu parceiro espanhol arpoou duas garoupas pintadas. Essas garoupas foram a glória do Carlos e a nossa safa, pois acabaram por ser o nosso jantar desse dia: como a pesca não foi abundante, os peixes grandes ficaram para os pescadores que nos levaram!

9. Carlos: “Pois, pois, se nao fosse eu a apanhar o jantar comiam era mier...”

E as garoupas, grelhadas, estavam de facto deliciosas!

No final, e mesmo assim com condições difíceis, acabou por ser um dia muito bem passado: mar, pesca submarina e peixe para o jantar, o que é que se pode pedir mais...

António Mourinha

(P.S.: para quem for a Port Gentil, no Gabão e pensar em fazer pesca submarina nas plataformas petrolíferas, aqui fica o contacto do Vicentino que conhece muito bem os locais de pesca e certamente vos acolherá bem: tel. +241 07 16 09 60)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Ponta Delgada: Mergulho no "Dori"

A apenas duas milhas do porto de Ponta Delgada, existe um navio naufragado de nome "Dori". Cargueiro liberiano, foi construído em 1943, com 70 metros de comprimento, pela WSA e assumiu o nome de “Edwin L. Drake”. Passou por vários proprietários, após a 2ª Guerra Mundial e em 1962, foi registado com o nome “Dori”. A 16 de Janeiro de 1964, o navio afundou-se em frente á Igreja de São Roque, a cerca de 800 metros da costa sul da Ilha de Ponta Delgada. O Cargueiro encontra-se assente num fundo de areia entre os 17 e os 20 metros, sendo que a popa atinge cotas de apenas 9m de profundidade. Apesar de não ter lá visto qualquer troféu, é um local a visitar frequentemente nas caçadas de barco, nem que seja apenas para caçar uns lírios pequenos ou peixe-porco, mas pode-se sempre encontrar uma boa bicuda, uma anchova ou umas belas garoupas lá mais para baixo.
No início de Setembro, após ter deixado o ferro do barco no fundo, pedi ao Brito de Abreu para trazer as garrafas e irmos recuperá-lo. Como a recuperação foi fácil e estava uma manhã de sábado fabulosa, acabámos por ir até ao Dori fazer aquele que foi o meu primeiro e único mergulho com garrafa em um ano de estadia em S. Miguel.
Apesar de não ser em apneia, partilho convosco o filme desse mergulho, para vos deixar alguma água na boca...

Rogério Santana

O meu primeiro Xaréu


Às 3 foi de vez.
Foi a terceira vez que os vi; ainda a semana passada tinha estado a olhar para um a uns 22m e eu a 17 e a pensar que ainda lá chegarei.
Ontem, na Caloura, vi um movimento no limite da visibilidade que me convenceu a ir espreitar uma arcada aos 12m e lá estava ele a pastar à sombra.
Enquanto dava a volta para bazar apontei rápido e disparei.
Depois foi uma luta jeitosa para que não se roçasse muito no fundo.
Pesou 6,7kg.

Rogério Santana